 Brasil poderá exportar conhecimento sobre ônibus a hidrogênio. 14 de fevereiro de 2007Um ônibus menos poluente, silencioso e com ar-condicionado deve começar a circular pelas ruas de São Paulo a partir de 2008. O município foi escolhido para testar uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros, que usa, para a locomoção do veículo, gás hidrogênio e uma bateria reserva - um sistema híbrido único no mundo. O projeto serve de exemplo para outros países em desenvolvimento e faz com que o Brasil, maior produtor mundial de ônibus (19 mil unidades por ano), mire o mercado externo.
A apresentação oficial do projeto ocorreu na terça-feira 14, na sede da EMTU-SP (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo), em São Bernardo do Campo. Orçado em US$ 16 milhões, ele começou a ser desenvolvido em julho de 1997, com os primeiros estudos de viabilidade da utilização de ônibus movidos a hidrogênio no Brasil.
Os parceiros envolvidos dão uma idéia da importância da aposta na iniciativa: Ministério de Minas e Energia, EMTU-SP, PNUD, GEF (Fundo para o Meio Ambiente Mundial, maior financiador de meio ambiente no planeta) e a FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos). Os investimentos ficam a cargo de um consórcio de oito empresas, que inclui Petrobras, AES Eletropaulo e NUCELLSYS (uma joint-venture da DaimlerChrysler e da Ford Motor Company).
Um protótipo será fabricado no ano que vem, para circular pela cidade de São Paulo, no corredor São Mateus-Jabaquara, de 33 quilômetros de extensão e usado por cerca de 6 milhões de passageiros diariamente. Também no ano que vem, será construída uma estação de produção de hidrogênio que servirá para abastecer os tanques do gás instalados no teto do veículo.
Na estação - a primeira da América do Sul -, o gás será obtido por eletrólise, processo em que a água, por meio da energia elétrica, é separada em moléculas de hidrogênio e oxigênio. O processo foi escolhido em razão da grande capacidade do Brasil de gerar energia elétrica por meio de usinas hidrelétricas - 92% da eletricidade brasileira provém dessa fonte. O hidrogênio pode ainda ser produzido por meio de outras fontes de energia renovável, entre elas o etanol. "Para isso, é preciso um reformador, uma tecnologia que está em estágio de pesquisa e deve estar disponível a partir de 2020", disse o secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, João José de Nora Souto.
No modelo brasileiro, depois de abastecido nos tanques, o hidrogênio é direcionado para a célula a combustível, que combina o gás com o oxigênio do ar e produz energia elétrica sem ruído ou combustão. A eficiência energética é de 50% - enquanto no sistema a diesel é de 30% - e a pureza é de mais de 99: o ônibus libera pelo escapamento apenas vapor de água, com quase nenhum poluente. "A partir desse projeto estamos dando um passo significativo para que o Brasil entre na busca por uma cidade mais saudável", ressaltou o diretor-presidente da EMTU-SP, Joaquim Lopes da Silva Júnior.
A expectativa é que os testes com o protótipo possam, além de reduzir a emissão de poluentes e gases de efeitos estufa, demonstrar a viabilidade do ônibus e da infra-estrutura de produção de hidrogênio e do abastecimento em condições reais de operação; e acelerar e disseminar as técnicas de operação, manutenção e fabricação, "para que ele tenha condições de ser exportado a curto prazo", afirmou o coordenador nacional do projeto, Marcio Rodrigues Alves Schettino. Até 2010, outros quatro ônibus devem ser testados e, caso a atividade seja bem-sucedida, serão fabricados cerca de 200 veículos, prevê o coordenador.
O projeto funciona como um importante vetor para ajudar a impulsionar o desenvolvimento econômico da produção de hidrogênio, segundo o secretário. "Nós temos potencial para sermos líderes na produção deste combustível a partir de fontes renováveis", disse Souto. "O Brasil já se destaca na fabricação de ônibus e temos que aproveitar o potencial do mercado. O projeto deve ser visto como parte de um contexto mais amplo em que o país possa liderar a produção de energia e também todas as etapas da cadeia produtiva".
No PNUD, a iniciativa é desenvolvida por meio do projeto Células de Hidrogênio como Combustível para Transporte Urbano, executado pelo Ministério de Minas e Energia com o apoio da agência da ONU e do GEF.
fonte: Talita Bedinelli / PNUD Brasil |