Hidrogênio no Brasil é destaque da revista Época Negócios. 5 de janeiro de 2010Enfrentar os problemas ambientais atuais, da mudança climática à escassez de água, é algo que depende de uma boa dose de inovação - inclusive inovação tecnológica. Atentas a isso, universidades, empresas e organizações não-governamentais mundo afora travam uma corrida pelo desenvolvimento de tecnologias pró-meio ambiente. O objetivo é criar alternativas que sejam, ao mesmo tempo, ambientalmente corretas (não provoquem danos ambientais e reduzam a dependência de combustíveis fósseis) e economicamente viáveis (baratas o suficiente para que possam ser adotadas em larga escala). A conta nem sempre fecha. Os painéis solares, por exemplo, são ambientalmente interessantes, mas ainda caros demais. Os gases CFC, que destroem a camada de ozônio, acabaram banidos do mercado, mas alguns de seus substitutos colaboram para o aquecimento global. Como não é simples atender a requisitos ecológicos e econômicos simultaneamente, muitos especialistas ainda olham para as tecnologias verdes pelo viés não da ruptura, mas da evolução. "Entendemos como ambientais aquelas tecnologias que causam menos danos ao meio ambiente em comparação às alternativas disponíveis", diz Omar Yazbek Bitar, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT).
O campo é abrangente e envolve desde a criação de materiais e métodos menos poluentes até o desenvolvimento de novas formas de geração de energia e de eliminação de substâncias tóxicas (veja quadro na próxima página). Para disseminar as aplicações possíveis, empresas globais como IBM, Nokia e Sony uniram-se recentemente ao Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, na sigla em inglês) para criar um site de patentes ecológicas oferecidas para domínio público. Nos Estados Unidos e na Europa, grupos como GE e Virgin investem bilhões em inovações ambientais.
Como está o Brasil nessa corrida? O país já criou o polietileno verde, que no lugar de petróleo usa cana-de-açúcar como matéria-prima, desenvolvido pela Braskem, e um processo de reciclagem de embalagens longa vida que separa moléculas de plástico e alumínio, criado pela Tetra Pak em parceria com Klabin, Alcoa e TSL Ambiental. Mas há outras novidades a caminho. No Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec), em São Paulo, há pequenas empresas desenvolvendo células de combustível, sistemas para uso racional de água, equipamentos para reciclagem de lâmpadas fluorescentes e agroquímicos ecológicos, entre outros. "Como não temos incentivos específicos, outros países são mais rápidos nessa área", diz Sergio Risola, gerente do Cietec. Época NEGÓCIOS ouviu especialistas em universidades e no mercado em busca de exemplos made in Brazil. Eles mostram que o caminho das tecnologias verdes é possível também por aqui. fonte: www.globo.com |